sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Cap. 37 Luminárias

No jardim secreto as luminárias chinesas fazem perder a noção de tempo e espaço. Lá não há sombras. Revejo a cena, a artista dos objetos desenha seus mil rascunhos. O que poderia ser? Quem sabe um coração artificial que seja útil para redescobrir o amor e o ódio. Quem sabe uma máquina de pensar. Quem sabe um gravador de sonhos.

 

Um coração arificial talvez eliminasse a paranoia, o medo do medo. A máquina de pensar talvez nos impedisse de reescrever páginas em branco quando tudo que temos é um falso fim. O gravador de sonhos talvez criasse um novo culto, substituindo a nossa adoração inconsciente à morte. Com tais máquinas, a realidade seria onirica. As uvas já seriam fermentadas, as nuvens seriam de algodão, as meninas olhariam para rapazes como eu.

 

Estou olhando as pessoas atavés de um prisma. Elas estão quebradas, estranhas e infinatamente mais interessantes. Parecem leves como seda. É quase possivel visualizar a alma. Mas o diálogo que se prossegue é o mesmo de sempre, com suas banalidades, desimportâncias. A repetição é retundante. Sem distrações todos são desinteressantes, já que a artista é muda e feia.

 

A decepção faz querer parar de respirar. Quase não se respira quando se tenta não respirar. Não, não é tentativa de morte. Poucos sabem, mas é impossível morrer simplismente tentando não mais respirar. O desmaio que talvez se suceda talvez nos traga de volta a realidade onírica para distribuir pílulas com questões filosóficas.

 

Na primeira pílula estaria escrito: "Na terra dos porcos voadores, o contrário da vida não é a morte, é sim, o perder-se. Sonhar e não se lembrar. Cultivar sombras."

3 comentários:

  1. "Quem sabe uma máquina de pensar."

    Seria muito útil, eu e outras pessoas começariamos a pensar, olha só! asneiras de lado...

    "Estou olhando as pessoas atavés de um prisma. Elas estão quebradas, estranhas e infinatamente mais interessantes. "

    acho que foi uma das coisas que mais gostei de ter lido aki.
    não há muito a ser comentado... balançar a cabeça com um risinho de canto, é isso o que eu faria com a sua teoria. Concordo e até gosto...

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  2. Ah - que sou eu.... sou eu
    Mas a gente é sempre mais do que o que a gente escreve(u). É um saco quando mudam o que são, como nos veem, como as vezes dão mais valor pro produto do que pro produtor u_u'. Sobre o texto - o foda é a sensação de que a gente vai ler, vai ler , vai ler - vai entender, vai até ver a situação, mas vai ler de novo e pensar "é foda" no fim.
    No geral eu só acho o seguinte - notar que as sombras atraem mais que o objeto que produz é uma das maiores decepções que rola.... e o pior é que persegue.
    A gente leva uma vida com o "eu não acredito que isso veio daquilo" e isso faz voltar pro primeiro tema, mas indiretamente - entre gostar do que é e do que fez e vice versa
    (claro tambem que isso pode ter vindo da minha leitura e não do que voce escreveu, eu admito =P)

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  3. e é isso mesmo u_u
    Eu li outra vez e tive outra sensaçao (no fim a parte das sombras me fez pensar em alguem que me fez pensar em outras coisas - é culpa do sono, eu admito)

    Depois vou postar feito gente (eu to confundindo as coisas oO)

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